Animal Farm (Animação) – (1954)

Uma das primeiras adaptações do livro do mês do Sempre um Livro foi um desenho animado, lançado em 1954. Com algumas mudanças significativas em relação à história original (principalmente em relação ao final), o filme não é recomendado para quem ainda não leu o livro. Mas após a leitura do livro é um interessante exercício perceber as mudanças e omissões presentes no filme.

Disponível no YouTube, com tradução em português:

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A revolução dos bichos (George Orwell)

A leitura dos integrantes do Sempre um Livro para o mês de junho/2015, sob o meu “anfitrionato” é o famoso livro “A revolução dos bichos”, do escritor inglês Geroge Orwell.

Algumas informações interessantes sobre a obra podem ser encontradas no vídeo a seguir:

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Mesa de Debates: Casa de Madeira (Darlan Lula)

O vídeo a seguir apresenta a entrevista concedida por Darlan Lula, autor da obra Casa de Madeira, para o programa juizforano Mesa de Debates.

Além disso, os interessados em conhecer o autor também poderão acessar seu blog, através do link http://darlanlula.blogspot.com.br/ .

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Entrevista com Darlan Lula

ENTREVISTA COM DARLAN LULA

Neste mês, no Sempre um livro, lemos o livro “Casa de madeira”, de Darlan Lula. Visto que o autor mora aqui mesmo, na nossa cidade, resolvemos entrevistá-lo, aproximando-o propriamente dos leitores do blog e de nós. Se não me engano, até hoje não tivemos a oportunidade de estudar uma obra e conhecer o autor, o que, pelo que fizemos, foi gratificante e enriquecedor. Segue, então, um recorte da entrevista que contém a mais densa parte referente às influências literárias e a visão sobre a literatura do autor.

Rita: Já há alguns anos eu gostaria que você falasse sobre os seus livros, um pouco da sua história literária, acadêmica. Isso seria interessante para nós.

Darlan: Eu tive uma formação um pouco diferente da formação dos meninos da minha geração, pois eu estudei em um colégio interno, estudei da quinta a oitava série lá, e lá eu aproveitei muito as oportunidades, porque lá a gente vivia no ócio. Tinha estudos, a gente estudava, tinha um colégio dentro do internato e tinha uma biblioteca. E eu, a partir do sexto ano passei a frequentar a biblioteca, ler muitos livros, e tenho interesse pela leitura porque meu pai foi um grande incentivador, foi o meu maior incentivador em leitura, e eu comecei a cuidar da biblioteca depois disso. E aí lá eu tive contato com vários autores: Machado de Assis, Ernest Hemingway, Clarice Lispector, Dostoiévski, esse povo mais clássico, né? Que tinha lá na biblioteca. E comecei também por me interessar a escrever algo. A gente lançou um jornalzinho lá, e foi lá que começou tudo, assim, de certa forma. Aí, quando eu vim para Juiz de Fora, meu pai queria que eu fizesse medicina, eu falei com ele que não era muito a minha “praia”, pois ele era médico também, e eu disse a ele: Pai, eu quero fazer literatura, e para fazer literatura eu preciso fazer o curso de letras. E aí eu fui e ingressei no curso de letras do CES, e lá eu me embrenhei mais para a área acadêmica em relação à literatura, porque era a minha “praia”, era o que eu queria, eu queria aprender técnicas de escrita, técnicas de escritores, como escrever mais pensando e menos intuitivo, pois tem vários escritores que vão pela intuição, eu não, eu queria escrever de uma forma que também trouxesse essa carga acadêmica para dentro da minha escrita mas com muita leveza também. Aí, em 2002, eu lancei uma miscelânia, financiado por mim mesmo, nessa época eu não conhecia a FUNALFA, aí eu lancei um livro chamado “Pontos, fendas e arestas”, que era justamente a reunião de contos, crônicas e poesia. Por isso que eu quis que ele chamasse “Pontas, fendas e arestas”, pois cada uma representava um setor do livro. E a partir daí, quando eu lancei, o pessoal teve uma repercussão de leitura boa, ficaram comentando, gostaram dos textos, e aquilo ali era meio que um laboratório para mim, sabe?! A partir de um conto daqueles, se não me engano o conto se chamava “reminiscências da infância”, eu tive a ideia de escrever o “Viera tarde”, quer é o meu primeiro romance. Então, assim que eu entrei no mestrado, em 2003, concomitantemente eu comecei a escrever esse livro, escrevi esse livro, eu acho, que gastei uns três meses para escrever, aí depois fui e dei uma elaborada nele e depois entrei na lei. Fui aprovado na lei de 2005 com o livro. Fui aprovado na lei, consegui uma parceria com uma editora lá de São Paulo chamada Nankin editorial e lancei com as editoras FUNALFA e Editora Nankin. Então a Nankin fez 1000 exemplares e a FUNALFA mais 1000, Sendo que 700 ficaram comigo. E também o pessoal gostou muito, o livro tem uma dinâmica e uma estrutura diferentes, não é um livro pesado, é um livro menos reflexivo e mais de ação mesmo.

As ações traduzem o pensamento do narrador… [Agora o Darlan fala da relação com o pai, um homem simples, em relação ao conhecimento técnica da narrativa, mas um grande leitor. Eles costumam conversar bastante.] Mas eu comento muito com ele [o pai] que muitas vezes nas ações dos [personagens] não precisa ele [o narrador] refletir sobre aquilo, o próprio personagem vai dar ao leitor essa indicação de reflexão, e a partir do repertório do leitor ele vai entender aquilo de acordo com a sua experiência de vida, de leitura e etc. As vezes a reflexão engessa até mesmo o pensamento, e esse livro “Viera tarde” foi um pouco assim, um livro que trata de um adolescente que não quer fazer vestibular e que tenta a todo custo convencer o pai de que ele não tem formação acadêmica mas que quer ser um escritor, e ele fica nesse embate com o pai e ao mesmo tempo ele descobre que tem câncer. E no meio disso há também um personagem que está escrevendo histórias, e esse personagem, escrevendo, ele produz a história dele no meio da história do personagem principal que tem uma complicação com o pai. Bom, em 2008 eu lancei um blog também, que é um blog1 que hoje está em plena atividade, e isso eu lancei mais como professor, eu dava aula na escola normal, no instituto estadual de educação, e lá eu usava o blog para incentivar os meus alunos a ler, incentivar os meus alunos a produzir que eu publicava lá naquele blog. Depois ele foi ganhando uma outra dimensão. Eu comecei a fazer críticas, ler uns livros, comecei a escrever algumas coisas e postar lá e desde 2008 eu venho escrevendo e a partir de 2012 eu comecei a escrever poesia também, escrevi alguns poemas, que não é muito bem a minha “praia”. Eu entrei nesse mercado meio que por um acaso, eu vim lançar este livro [Casa de Madeira] meio que por um acaso também. É um livro que foi escrito praticamente dentro de uma clínica, dentro de uma clínica de recuperação, porque eu fiquei muito depressivo em 2013, foi entre agosto e setembro de 2013, fiquei quinze dias lá e a maioria do que está aí foi escrito lá. E lá eu tive experiência com várias pessoas, com várias situações de vida, sabe?! E o livro trata disso, da própria reflexão interior do personagem que está com depressão, isolado do mundo e refletindo sobre sua própria existência, é um personagem que tentou suicídio por causa da depressão e se viu tendo que ser internado por causa disso, um suicídio por uma questão sentimental, de separação com uma mulher, que ele não aceitou. O que é, um pouco assim, digamos que não é um pouco não, que é a minha história de vida. E o livro é até uma forma de alertar as pessoas para a questão da depressão, que eu sempre falo isso quando dou entrevista para alguém ou falo desse livro, que ele é uma tentativa de fazer com que as pessoas entendam que a depressão não é somente uma besteira ou uma frescura de alguém, mas que é algo muito forte e incisivo dentro do organismo da pessoa, que ela perde a noção de tudo, da sua família, do amor por qualquer pessoa que seja e sente um vazio existencial enorme, e é por isso que chega no limite do suicídio… A pessoa tem que ser resgatada, não dá para ser resgatado sozinho, é muito difícil. Com a ajuda de medicamentos, da minha família eu me recuperei, e até mesmo com a escrita, eu digo que foi, assim, uma espécie de “catarse”.

Rita: Quanto tempo você ficou internado?

Darlan: Eu fiquei quinze dias internado.

Rita: Em 2013?

Darlan: Sim, em 2013.

Rita: Eu gostaria de saber sobre a sua opinião em relação a avaliação da escrita enquanto cura.

Darlan: É justamente isso mesmo, no meu caso foi uma espécie de ajuda mesmo. Eu não estou dizendo que a escrita por si só cura o paciente de algum mal, do mal da depressão, nesse caso, mas ajuda e muito, pelo menos no meu caso ajudou. Porque, é, eu me vi escrevendo por acaso. Eu via as pessoas se reunindo na Casa de Madeira, na Clínica Vila Verde, pois foi lá o lugar onde eu fiquei internado, no bairro Borboleta, e lá tinha uma casa chamada Casa de Madeira, e eu fiquei internado lá, uma casa no alto do morro, tanto que na capa do livro o ilustrador Gerson Guedes coloca uma casa no alto do morro e que tem uma descida e que fica um plano de outro ambiente, mas ainda tem uma casa lá em cima onde ficam os internos com dependências químicas, com dependência alcóolica. No meu caso, com problemas psíquicos. E eles [os dependentes] se reuniam para discutir sobre o dia a dia, pois eles tinham reuniões em grupo, e eu não tinha nenhum tipo de grupo, específico no meu caso, apenas para dependentes físicos e dependentes químicos, que tinham problemas com droga e etc. E eles saiam do Borboleta e iam para outro lugar, que era uma outra unidade do Centro. Eles voltavam sempre à tardezinha e tinham que fazer uma tarefa, que era escrever sobre alguma coisa da vida deles. Enquanto eles escreviam ali eu me juntava a eles, e acabava escrevendo, e quando eu via estava escrevendo poesia para eles, sobre mim, sobre a situação, sobre a vida e etc. Quando eu li eu percebi que aquilo ali era eu que estava ali. É muito mais fácil você “se refletir” se projetando para fora, se observando de fora, como se eu fosse um outro me observando e isso me ajudou bastante. E está sendo interessante para mim esse livro pois ele pode ser visto sob esse viés, da questão da depressão, mas também como uma superação de um ser humano que busca ser superado o tempo todo e busca o tempo todo alguma tentativa de se ver melhor, de se sentir melhor. Eu estou falando isso porque tive retorno do Léo, que estava lá internado comigo, e ele foi ao lançamento do livro, se emocionou muito ao ler o livro, falou que vai ser o livro de cabeceira da vida dele, porque ele é dependente do crack, que é uma droga terrível, e ele “tá” mais de um ano sem usar, vivendo a vida. E eu achei maravilhoso você poder viver assim e ajudar os outros, resgatá-lo disso é muito bom. E um outro caso foi uma amiga minha que dá aula para internos, presidiários, e que eles adoraram o livro, então está tendo uma ramificação de leitores que eu não imaginava que teria, e de pessoas que sofrem o processo da depressão, e contam a sua experiencia também. Um senhor inclusive me procurou no dia do lançamento e falou: “Olha, eu também estou tendo depressão e vim aqui só para te ver, para te dar um abraço”. E eu disse: “ah, muito obrigado, e tal”. Então, é uma coisa que tem que vir à tona, e as pessoas tem receio disso né, as pessoas escondem para debaixo do tapete os problemas, principalmente uma tentativa de suicídio, por exemplo, desencadeado por uma depressão, ou algo assim. Não pode, esse é um tipo de reflexão que se deve ter. Esse livro é um pouco prazer profissional mas também é muito pessoal, sabe.

Pedro: E como é que você se viu diante dos internados, já que eles tinham problemas tão diferentes?

Darlan: Ah, cara isso foi o máximo, porque, assim, como eu vivi quatro anos internado dentro de um colégio interno, no primeiro dia eu já estava adaptado, me adaptei ao esquema da Clínica. Eu brincava assim: se eu não engordar aqui eu não engordo nunca. “Tinha” cinco refeições, café da manhã, almoço, cafézinho da tarde, jantar e pernoite. Então a gente comia horrores lá, era dormir e comer, comer e dormir. [risos]. E eu conheci pessoas. Eu levei um computador para lá cheio de músicas na época, e às vezes a gente tomava banho de sol ao lado da piscina e ligava o som, e todo mundo interagia, e o pessoal contava os seus problemas. E nós fomos nos conhecendo. Uns menos, que eram mais arredios, outros mais, se mostravam mais, contavam sua história. O Léo mesmo foi um que contou a história dele. E eu fui abraçando a causa deles também. Vão ter alguns poemas que são endereçados a eles, feitos para eles. E eu lia para eles na época e [todos] ficavam muito emocionados, porque lá todos ficam muito fragilizados. Eu queria mostrar a eles que eles tinham alguém ali, alguém com quem eles poderiam contar, e contavam os seus problemas também. Foi muito gratificante e muito enriquecedor. Não sofri preconceito nenhum de ninguém, pelo contrário, foi uma coisa muito positiva na minha vida, que eu nunca conheceria aquelas pessoas se não estivesse ali.

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Ratos e Homens

 

RATOS E HOMENS

Por Pedro Uchôas

BIOGRAFIA DO AUTOR

John Steinbeck nasceu em 1902 em Salinas, Califórnia. Filho de um imigrante alemão desafortunado e de uma professora primária de origem irlandesa, Steinbeck, vendo a dificuldade financeira da família, resolveu dedicar-se aos estudos. Porém, pela ausência de uma boa estrutura financeira acabou por trabalhar numa fazenda. Desgastado com os trabalhos árduos e mal remunerados, mudou-se para uma cidade próxima onde trabalhou por um tempo como vendedor em uma farmácia até ser demitido e iniciar um novo projeto de trabalho em uma estrada. Cansado novamente, desgastado com o trabalho forçoso e pesado, foi para Nova York onde se tornou jornalista. Voltou novamente para a Califórnia e conheceu uma mulher chamada Carol Henning, com quem assumiu um relacionamento, por mais que sofrendo a desaprovação dos pais da amada. A partir daí, casou-se e começou a publicar livros e aos poucos a impulsionar a sua carreira de escritor, cujo auge seria a conquista do nobel de literatura no ano de 1962.

RATOS E HOMENS

A obra Ratos e homens foi publicada por John Steinbeck no ano de 1937 e reflete o sonho americano da independência econômica em um período que, como mostra a própria biografia do autor, progredir economicamente não parecia tarefa das mais fáceis. Tudo girava em torno da busca por um dinheiro que possibilitaria o trabalho autônomo, ou melhor, a autonomia financeira propriamente dita. Durante o livro é possível perceber o quão importante a independência se mostra para Lennie e George, dois trabalhadores rurais. Eles se esforçavam durante todo o tempo e, por mais que não fosse tão realmente aplicável a idealidade do trabalho absolutamente direcionado, buscavam a economia para a aquisição de uma propriedade rural própria, do plantio e da criação de coelhos, por parte de Lennie. Para prosseguir na apresentação da obra, penso ser mais necessário apresentar cada um dos personagens, primeiramente, para em um segundo período escrever um pouco sobre a relação de ambos e o desfecho, se possível.

Steinbeck, nas primeiras páginas do livro, descreve bem e de forma coerente cada personagem. Para não ser inexato, coloco aqui da mesma forma como ele pretendeu descrevê-los, na tradução de Érico Veríssimo, a caracterização de George e, em seguida, a de Lennie.

O primeiro dos homens [George] era pequeno e vivo, moreno de rosto, olhos inquietos e penetrantes e traços bem marcados. Tudo nêle era definido: mão pequenas e fortes, braços delgados, nariz fino e ossudo. Atrás dêle vinha o seu oposto [Lennie]: um homem enorme, de cara sem forma, grandes olhos pálidos e ombros largos e caído. Caminhava pesadamente, arrastando um pouco os pés, assim do jeito como os ursos arrastam as patas. Seus braços não oscilavam acompanhando o movimento das pernas, mas pendiam frouxos ao longo do torso. (STEINBECK, 1968, p. 17-18).

George, o primeiro homem da descrição, é baixo, moreno e, fora as descrições físicas, possui uma inteligência mais aguçada que a de Lennie. Ele se esforça para manter as decisões mais inclusas no círculo do planejamento e costumava inclusive planejar por Lennie a vida futura de ambos. George possui as mãos firmes de um trabalhador do campo, a feição de certa forma comportada e harmônica. Já Lennie, completamente distinto do amigo, possui grandes mãos que, para além do trabalho no campo, também são capazes de intimidar, anda pesadamente, por ser um homem alto e pesado de corpo, e não possui a mesma inteligência que o outro. Pelo contrário, é majoritariamente instintivo e, como diz Otto Maria Carpeaux, no prefácio da obra, “um gigante, de força física enorme, mas de inteligência reduzida, um débil mental” (CARPEAUX, 1968, p. 9).

Pois então, por que homens tão diferentes assim se uniriam em uma espécie de amizade tão forte quanto ela se mostrou? Um sonho comum, o da independência econômica. Ambos possuem o sonho de uma propriedade rural própria e do trabalho autônomo. E, de certa forma, juntos eles talvez conseguiriam com maior facilidade, ou mesmo possibilitariam, a futura vida rural independente. George é o responsável pelos planos, e Lennie sempre insiste na lembrança do sonho, como é possível perceber em várias passagens, tais como essas:

– George, quanto tempo vai passar até a gente conseguir aquêle sítio para viver à fôrra… e com os coelhos?

– Não sei. [Diz George]Temos que juntar muito dinheiro. Conheço uma terra que a gente podia conseguir barato, mas não de presente. (STEINBECK, 1968, p. 114-115).

E compõem o futuro, reconstruindo-o nos sonhos.

– Bom, só uns três acres. Vamos ter um moinho de vento, um galpãozinho e um galinheiro. Vamos ter cozinha, pomar, cerejas, maçãs, pêssegos, damascos e um pouco de morangos. Vamos ter um lugar pra plantar alfafa e bastante água pra o rêgo. E também um chiqueiro pros porcos. (STEINBECK, 1968, p. 115).

– Claro, vamos ter uma casinha, com um quarto para nós. Um bom fogão de ferro e no inverno temos sempre o fogo aceso. A terra não é muito grande e assim a gente não precisa trabalhar muito. Talvez seis, sete horas por dia. Mas nada de carregar sacos de cevada onze horas por dia. E quando chegar a colheita, lá estamos nós pra recolher ela. Assim vamos saber o resultado do que semeamos. (STEINBECK, 1968, p. 117).

Sem falar, claro, nos coelhos que Lennie tanto insiste em criar nessa tal fazenda. Ele possui um deslumbramento especial por animais e cuida de tudo aquilo que tem ao seu alcance, um rato, no início, um cão, no desenrolar, e coelhos, no futuro. Porém, sem conseguir medir devidamente a força dos carinhos, ou mesmo a repercussão da admiração, ele acaba sempre por matá-los, estrangulados, amassados em suas carinhosas e demasiadamente fortes mãos. O incontrolável o assume em certas cenas, tal como na briga em que ele trava com Crespinho. No acontecimento, Lennie briga com o “boxeador” e acaba por feri-lo, devido a sua falta de controle emocional e física. Crespinho meteu-se na briga com Lennie pois não queria que alguém como o grandão risse dele. Porém, não esperava que subitamente Lennie pudesse perder o controle sobre si mesmo e agredi-lo de forma tão brutal. George o fez parar, assim como o incitara no início da briga para não apanhar sem revidar, e o resultado foi o despedaçamento da mão de Crespinho.

A mulher de Crespinho, que parecia não estar satisfeita com o marido, ou mesmo ter uma parcela ninfomaníaca, andava pela fazenda, que abrigava praticamente só homens, atrás de casos e um pouco de diversão. Ela viu em Lennie algo de atrativo e decidiu encontrá-lo. Na conversa perguntou diversas coisas a ele, como sobre o gosto estranho pelos coelhos, e em um determinado momento comentou de sua afeição pelos seus cabelos macios e sedosos, e pelo prazer em acaricia-los e pentea-los. Passou as mãos por eles e levou a Lennie à sua cabeça, também para acaricia-los. Lennie não poderia manter o controle e começou a acaricia-lo com cada vez mais força até chegar ao ponto da mulher gritar de medo.

O FIM

Incontrolavelmente, Lennie acariciava os cabelos da mulher de Crespinho com muita força e ela começou a gritar. Frente aos gritos, e à possível confusão na qual ele poderia se envolver, o grande e descontrolado homem quis impedi-la de gritar e acabou por matá-la, sufocando-a, tal como o pássaro que tentara pegar nas mãos certa vez. Assustado, o homem fugiu. George foi avisado do corpo e logo correu para ver o que havia acontecido. Sabia que era Lennie, sabia da falta de controle de seu amigo. Crespinho, ao ficar sabendo do acontecido, ficou desesperado e quis ir atrás de Lennie. George tomou uma arma e, vendo que a melhor forma de terminar com aquilo seria pelas suas próprias mãos, já que Crespinho mostrava-se fora de si, procurou pelo amigo e o matou, em um ato de “amizade”.

E George ergueu a pistola, firmou-a e aproximou o cano na nuca de Lennie. A arma tremeu violentamente, mas o rosto de George se endureceu e a mão ganhou firmeza. Puxou o gatilho. O estampido subiu rolando os montes e rolando tornou a descer. Lennie se sacudiu todo e depois foi caindo lentamente para diante sôbre a areia e ali ficou estendido sem se mexer. George teve um estremecimento e olhou para a arma e depois jogou-a longe de si, para perto da margem, junto do montículo de cinzas. (STEINBECK, 1968, p. 205).

Naquele momento, era terrível ver como o sonho de ambos havia desmoronado. Todo aquele tempo de convívio, aquelas construções de futuro já não faziam mais tanto sentido. O descuido de Lennie o levou a tudo isso e a amizade de George, o medo pelo que poderia acontecer ao amigo, o levou a tal extremo.

Aqui o título assume o seu sentido. Ele foi retirado de um poema do famoso poeta escocês Robert Burns, do poema To a field mouse. Literalmente, sem preocupação alguma com rima ou forma, o trecho do qual o título foi retirado poderia ser traduzido assim, como o fez Carpeaux: “Os projetos melhor elaborados, sejam de ratinhos ou sejam de homens, fracassam muitas vezes e nos fornecem só tristeza e sofrimento, em vez do prêmio prometido”. Agora é adequado relembrar dos sonhos, dos planos de George e Lennie e fazer jus ao poema. Tudo ia bem com o controle de George e a força de Lennie,

[m]as o sonho dos dois homens estava condenado ao fracasso pela irrupção inesperada de uma fôrça hostil, da grande depressão, que os humilhou, impondo-lhes uma existência indigna de criaturas humanas. Of Mice and Men é o romance da depressão e da decepção do “homo americanus” em face de uma miséria e dos acontecimentos que os grandes planejadores não sabiam prever nem evitar. É uma tragédia americana. (CARPEAUX, 1968, p. 13).

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Atualizando: sobre nossos últimos encontros…

Sobre nossos últimos encontros

Isabella B. M. Martins

Pois bem, já estamos em maio e o blog ainda não teve nenhuma postagem nesse ano de 2015! Como assim? O grupo de leituras não morreu! Estamos todos ocupados, mas seguimos com as nossas leituras firmes e fortes. Afinal de contas, somos a prova viva de que sim um grupo de leituras funciona! E por estas razões, eu estou aqui para fazer um resumo de nossas atividades nos últimos meses.

A obra do ano que lemos foi “Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister” de Johann Wolfgang von Goethe, indicada pelo Rogério. A discussão no mês de março foi muito produtiva. A obra é extensa e aborda muitas questões interessantes, mas conseguimos nos concentrar nos pontos principais, como o papel do artista no mundo, o público para quem a obra era dirigida na época e a história do livro em si. Desta forma, nossa discussão foi muito produtiva e decidimos seguir adiante para a próxima leitura.

O livro que lemos no mês de abril, indicação do Pedro, foi: “Ratos e Homens” de John Steinbeck, autor famoso por tratar uma realidade norte americana muito diferente do que seria o “american dream”. Nossa discussão se desenvolveu a partir dessa perspectiva e também sobre a questão da linguagem e as diferentes traduções, e sem faltar, claro, sobre a relação entre as personagens principais: George e Lennie que é o foco central da história. Em seguida seguimos para as votações, tivemos três obras para escolher: “A Utopia” – Thomas More (Ivan), “O amor é um cão dos diabos”- Charles Bukowski (Isabella) e, a obra eleita, “Casa de Madeira”- Darlan Lula (Rita). Como combinado em encontros passados, o Pedro não indicou, para que dessa forma, possamos fazer um rodizio de indicações no grupo e assim todos terem a oportunidade de serem anfitriões.

Em “Casa de Madeira” o autor se baseia em sua própria experiência de vida, após passar por uma depressão, ele teve de se reinventar como profissional e pai. Para o nosso próximo encontro teremos o prazer de ler um autor juiz-forano e que amigavelmente aceitou participar de uma entrevista conosco. E assim este mês nossa discussão com certeza será muito produtiva e diferente do que estamos acostumados, pois teremos a honra de entrar em contato direto com o autor da nossa obra escolhida.

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Impressões de leitura… SESI – Juiz de Fora

No dia 22 de novembro, durante a manhã, três integrantes do Grupo de Leituras Sempre um Livro estiveram no Centro Integrado do Trabalhador (CIDT) de Juiz de Fora, para falar com os estudantes do Ensino Médio do SESI-MG.

O evento, coordenado pelo prof. Ivan Bilheiro (que também é membro do Sempre um Livro), contou com a participação de Ailton Augusto, Rogério Arantes e Rita Mendes. Sob o título “Impressões de leitura”, os convidados partilharam com os estudantes do 1º ano suas perspectivas sobre a obra Holocausto Brasileiro, escrito pela jornalista Daniela Arbex.

Os jovens estudantes trabalharam o livro na disciplina Sociologia ao longo da sua terceira etapa letiva, e o encontro com os membros do Sempre um Livro marcou o encerramento das atividades sobre esta obra.

Os principais enfoques apresentados pelos convidados em suas falas, em ligação direta com as respectivas áreas de atuação, foram: análise literária, leitura filosófica e a perspectiva da psicanálise.

Confira algumas fotos:

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