Arquivo do mês: agosto 2013

Entrevista – Julio Cortázar (1983)

Seguindo com algumas contribuições acerca do autor e da obra do mês, segue entrevista, em vídeo (com áudio em espanhol), de Julio Cortázar, concedida no ano de 1983 (um ano anterior à sua morte, portanto) na livraria El Juglar, no México. Cortázar fala sobre algumas de suas obras e personagens, experiências de vida e concepções de mundo:

https://www.youtube.com/watch?v=dmJdZDoj7xk

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O engarrafamento sob a ótica de Cortázar

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A obra a ser lida nesse mês pelos membros do Sempre um Livro é Todos os fogos o fogo (1966), do escritor franco-argentino Julio Cortázar (1904-1984).

Dos oito contos que compõem a obra, o primeiro, A autoestrada do sul, é um belíssimo cartão de visitas, que de cara já mostra um pouco da genialidade e sensibilidade de Cortázar.

Quem já vivenciou e mesmo quem só ouviu falar, sabe que a experiência de um engarrafamento é por deveras maçante e fastidiosa. Pois bem, retirar dela algo com nuances poéticas e reflexivas talvez não seja pra qualquer um. Cortázar, no entanto, conseguiu realizar tal intento de maneira muito interessante em A autoestrada do sul.

No conto, ele descreve um engarrafamento de Fointeneblau a Paris que se arrasta por meses e faz com que os participantes de tal engarrafamento (identificados apenas por suas ocupações e pelas marcas de seus carros, como, por exemplo, o engenheiro do Peugeout 404, as freiras do 2HP, etc..) tenham literalmente que “se virar”.

Nesse ínterim, novas e curiosas relações vão se construindo e quando o leitor menos espera o engarrafamento enfim termina e os carros voltam à sua mecânica e acelerada marcha.

Pode ficar a pergunta: qual é a genialidade de Cortázar nesse conto, aparentemente banal? Acredito que qualquer leitura, ainda que desatenta do conto, responderá tranquilamente essa questão e fará com que qualquer um – mesmo aqueles que ainda não tenham tido nenhum contato com a obra de Cortázar – consiga ao menos perceber que, como afirmou Mario Vargas Llosa, a literatura de Cortázar “é um refúgio de sensibilidade e imaginação que nos ajuda a fugir da insegurança e do absurdo deste mundo”.

***

Obs. 1: Em entrevista Cortázar falou sobre o processo de criação de A autoestrada do sul. Ver aqui.

Obs. 2: O maior engarrafamento da história ocorreu na China, em agosto de 2010. Ao todo foram 11 dias de carros e caminhões parados. Sobre o fato ver o texto, em espanhol, de Vicente Verdú, que também relembra o conto de Cortázar e aponta o problema da urbanização na sociedade contemporânea.

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Sobre o encontro de 13 de julho de 2013

[Transcrição (quase fiel) de e-mail enviado ao grupo]

Amigos, boa tarde!
 
Segue abaixo um resumo com as informações relativas ao último encontro do grupo, ocorrido em 13/7 e as decisões tomadas para o encontro do dia 10/8.
 
Membros presentes: Rita, Raquel, Rogério e eu
 
Discutimos basicamente as enormes variações encontradas entre as diferentes coletâneas de “Histórias extraordinárias” publicadas no Brasil e que eu ignorava (confesso) no momento da minha indicação. Fizemos comparações entre as traduções disponíveis no encontro (feitas por Clarice Lispector, José Paulo Paes e Brenno Silveira e outros). 
 
Também fizemos comentários sobre a vida de Poe e sobre o modo como elementos biográficos são transportados pelo autor para seu universo literário. Interessa aqui nesta mensagem comentar o caráter “pioneiro” do autor: Poe foi pioneiro no estabelecimento de gêneros literários como o gênero policial e literatura de terror e igualmente pioneiro na forma de colocar-se frente à escrita, valendo-se dela como meio de sobrevivência em uma sociedade em mudança na qual já não se encontrava a figura do mecenas.
 
Rita destacou, ainda, as relações que ela via entre Poe e alguns conceitos da Psicanálise, novamente atribuindo ao escritor um papel de antecessor de algumas formulações que demorariam a despontar no campo das ciências.
 
Dados do próximo encontro:
 
Diante das divergências observadas no conteúdo das diferentes antologias e, também, do interesse de todos os presentes em conhecer um pouco mais sobre o autor (além da impossibilidade de discutir qualquer coisa quando todos lemos textos diferentes), optamos por dedicar o próximo encontro do S.u.L ao mesmo autor, porém tomando o cuidado de identificar quais os textos que deverão ser lidos. Segue abaixo:
 
poema O corvo. Existem diferentes traduções. Aliás, um livro inteiro dedicado a elas, chamado “O corvo e suas traduções”. 
 
ensaio Filosofia da composição, em que o autor explica o processo de composição de O corvo. Essa indicação de leitura foi feita pelo Rogério, que havia lido uma resenha sobre este ensaio antes do encontro e queria conhecê-lo mais a fundo.
 
contos:
 
  • O gato preto
  • A queda da casa de Usher
  • O caso do Valdemar
  • O demônio da perversidade
  • O diabo no campanário
  • O homem da multidão.
 
Quem esteve presente: esqueci de alguma coisa?

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“Histórias extraordinárias”, de Edgar Allan Poe: uma indicação de leitura, um emaranhado editorial e o impensado desencontro

Os habitués deste espaço já sabem como funciona o grupo de leituras: a cada mês os membros do grupo se reúnem para discutir uma obra indicada previamente (via de regra, ao final do encontro anterior).

Em julho passado a ideia era discutir a obra Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan Poe. A indicação foi deste que, com atraso, escreve esta pequena nota. Embora soubesse da existência de outras traduções/adaptações (a minha estava creditada a Clarice Lispector), não imaginava que sob esse título pudesse existir um emaranhado de edições com diferentes contos do autor, reunidos sem critério. A este respeito, segue indicação de dois trabalhos acadêmicos dedicados ao tema:

Artigo de Denise Bottmann a respeito da presença de Poe no Brasil: http://bit.ly/rhiZGJ

Artigo de Karin Hallana Santos Silva e Elida Paulina Ferreira com uma comparação entre a adaptação dos contos de Poe por Clarice Lispector e a ‘tradução’ desses contos por Breno Silveira: http://bit.ly/13Fgc99

Pós-escrito

Sobre o “inesperado desencontro” aludido no título desta postagem: diante da multiplicidade de edições, a discussão do grupo ficou prejudicada e o que parecia ser simples adquiriu uma proporção bem maior, levando-nos a optar por um novo encontro sobre o Poe, com textos selecionados, de modo a tentar dar foco a uma leitura que tenderia à dispersão.

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Apontamentos sobre a biografia de Edgar Allan Poe

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Nasce em 19 de janeiro de 1809 em Boston (EUA)

Aos dois anos de idade perde a mãe (o pai havia abandonado a família).

Adotado por um casal da Virgínia, muda-se com eles para a Grã-Bretanha em 1815.

Após regressar aos EUA, entra na universidade em 1826, abandonando-a no ano seguinte por desentendimentos com seu pai adotivo surgidos em consequência da maneira de o autor conduzir sua vida no ambiente acadêmico.

Pela mesma razão, Poe decide voltar à sua Boston natal em 1827, onde lança seu primeiro livro de poesias.

Em 1829, morre sua mãe adotiva. Poe passa a residir com uma tia em Baltimore. A perda da mãe adotiva, somada ao segundo casamento de seu pai, agrava os desentendimentos entre eles, levando ao rompimento de suas relações em 1831. 

Em 1835 Poe casa-se com sua prima Virginia Clemm, então com 13 anos. A esta altura já havia publicado outros trabalhos e atua como editor de um jornal e uma revista.

Em 1839 dá a lume Tales of the Grotesque and Arabesque. Paradoxalmente a obra é um fracasso financeiro e um marco na literatura estadounidense.

Ao longo da década de 1840 o autor se vê às voltas com o problema do alcoolismo e com várias dificuldades financeiras.

Em 1845 é publicado seu poema mais conhecido, O corvo

Em 1847 perde a esposa, por tuberculose, fato que intensifica o consumo de álcool e é em decorrência das complicações do alcoolismo que o autor falece em 7 de outubro de 1849.

Pós-escritos:

[1] Recomendo a leitura do seguinte artigo sobre as relações entre vida e obra de Edgar Allan Poe: http://bit.ly/11FlCUb

[2] Outra recomendação de leitura. Desta vez sobre a série ‘The Following’, mencionada no encontro de julho/2013 por Rogério e Raquel: http://decoisasporai.blogspot.com.br/2013/02/sobre-series-following-e-edgar-allan-poe.html

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Edgar Allan Poe: apropriações imagéticas e trocadilhos fonéticos

Duas imagens relacionadas a Edgar Allan Poe, autor que o “Sempre um Livro” lê nos meses de julho e agosto/2013.

Ambas se apoiam em trocadilhos fonéticos com o sobrenome do autor. Vale a pena conferir. (Até porque um pouco de diversão não faz mal a ninguém 😉 )

Em tempo: encontrei essas imagens no Facebook, sem indicação de autoria nem nenhuma restrição ao seu compartilhamento. Espero não estar violando nenhum direito autoral ao vinculá-las ao blog do grupo de leituras.

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