Arquivo do mês: dezembro 2012

Encontro de 8 de dezembro de 2012

O livro de “tomada de consciência” de Carlos Drummond de Andrade, o provinciano cosmopolita, foi prazerosamente discutida pelos integrantes do Sempre um Livro neste sábado, com as mais precisas informações sobre o contexto (histórico e literário) de Sentimento do Mundo, além de bons comentários e, de quebra, o próprio Drummond lendo alguns de seus textos – vantagens da tecnologia.


ELEIÇÃO

A obra eleita é a do zoólogo Desmond Morris, O macaco nu: um estudo do animal humano, a qual concorreu com A utopia (de Thomas Morus), Um artista da fome (Franz Kafka) e Triste fim de Policarpo Quaresma (de Lima Barreto).

CARTAS

Ainda é preciso um período de adaptação sobre o novo sistema de cartas, que começou a funcionar com algumas falhas. Detalhes sobre seu funcionamento podem ser encontradas no post do Encontro de Outubro de 2012.

RETORNO

Depois de um breve período afastada, retornou ao grupo a Raquel Matos, que ingressa em “estágio-probatório”.

PRÓXIMO ENCONTRO

A discussão do livro de Morris ocorrerá em 12 de janeiro de 2013.

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Orientações para as atividades do Sempre um Livro

OBJETIVOS

1. Compartilhar leituras num viés interdisciplinar;

2. Incentivar a leitura;

3. Incentivar a formação de bibliotecas;

4. Incentivo a leitura e espírito crítico/sensibilidade;

5. Enriquecer e aprofundar os horizontes culturais dos integrantes e em seus meios de convivência e atuação cotidiana;

6. Incentivar a produção literária, acadêmica e profissional;

7. Intercâmbio de informações e conteúdos;

8. Permuta e partilha de recursos que promovam a melhoria de vida de seus integrantes individual e coletivamente;

9. Incentivar a amizade entre seus membros e sociabilidades;

10. Democratização do conhecimento;

11. Valorização de todas as diferenças raciais, étnicas, religiosas, de gênero, sociais, econômicas, ideológicas, políticas, culturais e intelectuais;

12. Difusão da leitura e da cultura geral;

PARTICIPANTES/INTEGRANTES

1. Leitores assíduos e participativos;

2. Presença com participação em 3/4 dos encontros, isto é, das 12 ocorrências anuais, comparecimento em no mínimo 9;

3. Leitura das obras;

4. Número de integrantes: no máximo 10;

5. Gênero: ambos os sexos;

6. Faixa etária: a partir dos 17 anos;

7. Disposição com disponibilidade para leituras, espaço e compartilhamento das obras e recursos complementares;

8. Oferecimento de seus dados completos de nome, data de nascimento, telefones, emails e endereço para contato e interação entre os membros;

9. Partilhar informações que digam respeito ao grupo e interesses afins que contemplem de algum modo os objetivos;

10. O membro que tiver sua indicação eleita para a obra do mês deverá proceder na forma de um anfitrião do encontro, de forma a iniciar a discussão, oferecendo dados como visão geral da obra, autor e demais informações que auxiliem no debate, com uma pequena pesquisa;

LOCAL (ESPAÇO)

1. Nas casas oferecidas dos próprios integrantes;

2. Espaços públicos ou privados que oferecem estrutura básica para os encontros como livrarias, sebos, bibliotecas, praças, museus, centros culturais e afins;

HORÁRIO

1. De 16 às 18 horas;

2. Excepcionalmente, poderão ocorrer mudanças num ou noutro encontro;

DIA

1. Todo primeiro sábado de mês;

2. Excepcionalmente, poderão ocorrer mudanças;

CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DAS OBRAS

1. Acessibilidade (nas prateleiras de livrarias, sebos, bibliotecas, etc além da língua e custos);

2. De acordo com os interesses do grupo e momento do mesmo, isto é, evitando repetições de época, gênero, estilo, autor, etc, exceto seja isso de interesse e consenso do grupo;

3. Devem ser à medida do possível viabilizadas, caso a cópia Xerox assim torne melhor aos interessados, portanto, aquele que indicar uma obra e tendo-a eleita, deve automaticamente disponibilizá-la para cópia e empréstimo conforme o caso e disponibilidade;

4. Em caso de obras muito densas e/ou volumosas, poderão ser destinados dois ou, no máximo, três encontros para a mesma conforme interesse do grupo;

5. Obras de maior volume poderão ser programadas/eleitas com maior antecedência (de até 1 ano);

6. Poderão, eventualmente também, ser eleitas não obras, mas leituras cruzadas de contos ou capítulos de um mesmo tema e autores diferentes, previamente selecionados e definidos, apresentados pelo integrante a indicá-las. O mesmo ocorre com possíveis temas eleitos, de pesquisa individual e livre para o debate;

PAUTA – ORDEM E DINÂMICA DOS ENCONTROS

1. Tertúlias (troca de materiais, conteúdos e informações);

2. Apresentação de novos membros, quando houver;

3. Leitura de texto extra, por membro previamente eleito;

4. Biografia do autor;

5. Biografia da obra (traduções, edições, etc);

6. Contextualizações;

7. A obra propriamente – debate (abordagens, comparações, impressões, etc);

8. Considerações finais;

9. Indicações para a próxima obra;

10. Eleição da próxima obra;

11. Definições de data/local/hora;

SOBRE OS REGISTROS DOS ENCONTROS

1. Serão feitos individualmente conforme o interesse, estilo e gosto de cada um dos membros, não sendo, portanto, obrigatório;

SOBRE AS DINÂMICAS

1. Livre (comentários aleatórios);

2. Dirigida (segundo o vencedor da indicação ou designação específica conferida pelo grupo);

3. Por um convidado (por ocasião especial como a presença do autor da obra eleita, tema/assunto que exija conhecimento mais específico para abordagem);

4. A escolha das obras poderá ser feita por eleição que, em maioria simples irá decidir (cada membro sugere e advoga uma única obra e, do conjunto de obras sugeridas, os membros elegem a que será lida). Em caso de empate, se classificam as duas mais votadas e se submete a uma nova votação ou então a mesma será decidida mediante negociação;

SOBRE AS LEITURAS, OBRAS E GRUPO

1. Será validada a utilização de recursos extras como suporte e auxílio para discussão, desde que não deixe a obra-foco em segundo plano;

2. Para convite de um potencial integrante: é necessário que haja autorização prévia dos integrantes do grupo, sendo estes informados de quem se trata, podendo ser vetado previamente. Aprovado nesta etapa, o novo membro participará de três encontros e, ao final do terceiro, terá sua efetivação submetida ao julgamento/votação dos membros efetivos;

3. Todo aquele integrante que faltar a mais do que o número estipulado de faltas permitidas (3 ao longo de um ano) sem justificativa prévia e aceita pelo grupo será automaticamente desligado do mesmo;

OBSERVAÇÕES FINAIS

1. Cumpre zelar pelo bom senso no que concerne às atividades ligadas ao grupo e à interação entre os membros;

2. As diretrizes aqui expostas servem tão-somente de orientação, diante do que se coloca, sempre, a supremacia da decisão do grupo, em conjunto, para eventuais desvios do que aqui se encontra.

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O Provinciano Cosmopolita: Drummond e o Sentimento do Mundo

PROVINCIANO COSMOPOLITA: DRUMMOND SENTIMENTO DO MUNDO

Rogério Arantes

https://i1.wp.com/1.bp.blogspot.com/-6J1BWw_Doi8/UJEJJ7HAvYI/AAAAAAAAC9I/LIAusIqfh3Y/s1600/Carlos+Drummond+de+Andrade.jpg Após a elaboração de um texto que fala um pouco sobre a vida e a obra de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), escrevo hoje, de maneira bem mais breve, um texto falando especificamente da obra que nós, membros do Sempre um Livro, estamos lendo no momento: Sentimento do Mundo (1940). Com nosso próximo encontro a realizar-se no sábado próximo, pretendo com este texto já dar algumas ideias para a abertura de discussão.

O terceiro livro de poemas do escritor mineiro começa com uma de suas mais famosas frases: “Tenho apenas duas mãos/ e o sentimento do mundo”. De cara já nos deparamos com temas constantes dentro de toda obra de Drummond e que (é importante ressaltar) passaram por várias transformações no decorrer dessa obra. Os temas são o eu e sua importância/insignificância (“tenho apenas duas mãos”) frente ao outro grande tema, o mundo (“e o sentimento do mundo”).

Essa relação eu x mundo talvez seja o principal mote da obra drummondiana. Não é atoa que nos resumos para vestibular que tratam de obras de Drummond1 aparece a divisão didática: “eu maior que o mundo”, “eu menor que o mundo” e “eu igual ao mundo”.

Embora não pretenda me ater a esta divisão (penso que dá pra falar de outras faces da obra de Drummond), vou segui-la pra dizer que Sentimento do Mundo poderia ser considerado o livro de transição entre a fase “eu maior que o mundo”2 e “eu menor que o mundo”.

Transição essa que não se dá de maneira definitiva e estanque. A obra de Drummond e dialética e ao ir se desenvolvendo carrega junto às “novidades” as coisas que ficaram para trás (temporalmente falando). Sentimento do Mundo é então uma obra confluente, que tem aquele toque gauche, mas que também se abre de vez para o mundo, como nos diz Murilo Marcondes de Moura:

Não se pretende postular a “comunicabilidade” da poesia de Drummond, que é essencialmente difícil, mas mostrar como o desejo de alargar-se em direção aos outros homens e ao mundo é um de seus impulsos fundamentais.

Esse elã expansivo, para qual poeta se sensibilizara desde infância interiorana, adquire plena atualidade justamente com livro Sentimento do Mundo(MOURA,2012,p.54.)

Seguindo esta chave de leitura fica fácil compreender a brincadeira que dá título a este texto. Ao iniciar uma obra com um poema falando do sentimento do mundo e logo em seguida um poema que fala do passado e da pacata Itabira, Drummond parece sugerir mesmo essa ideia de alguém que carrega consigo, de maneira bem marcante, tanto a província, o interior, o introspectivo quanto a vontade de expansão, o cosmopolitismo, as lutas do mundo, enfim. Retomando mais uma vez o posfácio de Murilo Marcondes Moura, da bela edição da Companhia das Letras para Sentimento do Mundo, lemos:

Ocorre que Sentimento do Mundo é antes um livro de tomada de consciência do que de adesão franca às lutas do mundo. É livro ainda de interiores, em que se processa ajuste de contas do sujeito consigo mesmo, anterior à sua saída para rua, que é, como se sabe, uma posição fundamental do eu lírico na poesia de Drummond. Se é que esse dobrar-se implacável do sujeito sobre si mesmo não seja também uma das constantes do poeta.(MOURA,2012,p.60.)

É como se o disciplinado funcionário público dissesse ao escritor: arrume a casa, pra depois sair pra rua. Ocorre que nessa “arrumação”, poemas bem “mundanos” já podem ser lidos, como é o caso de “Congresso Internacional do Medo”, “Os Ombros Suportam o Mundo”, “Mãos Dadas”, “Elegia 1938” e “Mundo Grande”, por exemplo. O que não exclui, de forma alguma, o toque melancólico e introspectivo de “Confidência do Itabirano”, “Bolero de Ravel” e “Lembrança do Mundo Antigo”.

Esse jogo dialético de Drummond levanta questões literárias, sociais, existenciais… Penso que a discussão de sábado deverá se pautar por esses temas e espero que esse singelo texto dê um rumo para todos os membros do grupo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do Mundo. – 1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

1Em tempo: a obra Sentimento do Mundo figura na lista de obras do vestibular da FUVEST, de 2013.

2O “Poema de Sete Faces” é o melhor exemplo dessa primeira fase.

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