Arquivo da tag: Goethe

Encontros: 25/02/12 e 03/03/12

Fausto: o “monstro poético” de Goethe [1]

Em dois encontros, o grupo de leituras Sempre um Livro teve oportunidade de discutir e apreciar este clássico da literatura universal. No primeiro momento, um intenso debate sobre o ato da leitura e sobre traduções, posto que tivemos variadas versões (tradução de Castilho, tradução de Oliveira Paes – Ed. Sete Letras, de Sílvio Meira – Ed. Abril, Barrento – Ed. Relógio d’água, d’Ornellas – Ed. Martin Claret). Para arremate da questão, cito o personagem Fausto, em sua reflexão chamada “Monólogo da Tradução”[2] (vv. 1220-1237):

Abrir o arquitexto é uma tentação,

Para, com sentir puro e leal,

Verter o sagrado original

No meu tão amado idioma alemão.

(Abre um volume e prepara-se para o trabalho.)

“Ao princípio era o Verbo!”, é o que está escrito.

Quem me ajuda? Logo aqui hesito!

Tanto não vale o verbo. Não,

Outra vai ter de ser a tradução,

Se bem me inspira o Espírito. Atento

E leito: “Ao princípio era o Pensamento.”

Esta linha tem de ser bem pensada,

Para que a pena não corra apressada!

É o Pensamento que tudo move e cria?

Certo é: “Ao princípio era a Energia!”

Mas agora que esta versão escrevi,

Algo me avisa já para não parar aí.

Vale-me o Espírito, já vejo a solução.

E escrevo, confiante, “Ao princípio era a Acção!”

O segundo encontro, mais ameno, contemplou diversas e interessantes questões, mostrando a riqueza e amplitude do escrito de Goethe. Como disse o protagonista deste poema dramático: “Neste mundo tem de haver de tudo” (v. 3483) e, como constata João Barrento: “Tudo encontrará, de facto, lugar nesta obra, em termos de formas poéticas (de Homero ao drama em prosa moderno), de figuras, de conteúdos humanos e de conhecimento.” (p. 8)

Votação

Para o próximo encontro, foi eleita a obra indicada por mim, Formação de professores no mundo contemporâneo, organizada por Maria da Assunção Calderano e Paulo R. Curvelo Lopes, da Editora UFJF. Faremos a leitura dos textos componentes da Parte I – Os espaços de formaçãoParte IV – Recursos para a formação, além do artigo Formação de professores(as) para a diversidade componente da Parte II – Os tempos de formação.

Além da obra eleita, foram também indicadas as seguintes: Barco a seco (Rubens Figueiredo), Chega de saudade (Ruy Castro) e Silogismos da amargura (Cioran).

_____________

[1] A expressão “monstro poético” é uma das utilizadas pelo próprio Goethe para definir a obra Fausto. São também palavras do autor: Summa summarum de uma vida; composição bárbara, fragmento subjetivo, produção incomensurável… (cf. BARRENTO, João. Introdução – Um todo. In: GOETHE, Johann W.. Fausto. 2. ed. Lisboa: Relógio d’água, 2003. p. 5-23. – Esta é a edição para as citações aqui presentes).

[2] Expressão utilizada por João Barrento em sua Introdução à obra.

1 comentário

Arquivado em Sem categoria