Arquivo do mês: maio 2013

Encontro de 11 de maio de 2013

No último dia 11 de maio os membros do grupo Sempre um Livro reuniram-se para o primeiro encontro dedicado à obra Crônica da Casa Assassinada, de Lúcio Cardoso, escolhida como Obra do Ano.

Como de praxe, as discussões começaram com a apresentação do autor e de sua obra, destacando a diferença existente entre as primeiras obras de Lúcio Cardoso (como Maleita (1934) e Salgueiro (1935)) e a Crônica, a qual foi destacada no seminário ocorrido em outubro/2012 no Mamm e de que participaram, à época, três integrantes do grupo. Ainda como eco do referido seminário, tivemos também a menção do trabalho do autor como tradutor nos anos 40 e seu possível impacto sobre o processo criativo de Lúcio Cardoso.

Também foi colocada a questão de seu trabalho como artista plástico no período posterior ao AVC e a sua relação com Clarice Lispector, escritora que tem servido a muitos como porta de entrada ao universo cardosiano.

No que tange especificamente à obra, comentou-se de sua estrutura complexa que, como destaca André Seffrin no prefácio da edição de 1998 da Civilização Brasileira, constitui uma “gigantesca espiral colorida” onde todos os personagens possuem um inusitado requinte linguístico que deixa entrever a mão do romancista, que é caudaloso em criar atmosferas e descrever estados de espírito, mas econômico na descrição de ambientes. Por exemplo: que comem os Meneses durante as várias discussões que sustentam à mesa, durante as refeições?

A este respeito, comentou-se ainda para a indeterminação temporal da ação romanesca. Com efeito, apenas no primeiro capítulo do livro – Diário de André (conclusão) – há uma referência truncada a uma data: 18 de … de 19…

Entre os que estavam relendo a obra para o encontro levantou-se a questão de se não existiu a tentação de ordenar os capítulos durante a releitura, de modo a colocar as coisas dentro de uma perspectiva um pouco mais linear.

Os comentários relativos aos personagens e à trama em si concentraram-se em Ana, Nina, Valdo e Timóteo, com destaque para a relação da protagonista com os demais personagens e sua capacidade de desestabilizar o ambiente com sua “pulsão de vida”, uma vez que Nina poderia representar uma “Vênus encarnada” que desperta os desejos adormecidos/enclausurados dentro das normas do bem viver e do bem portar-se dos Meneses.

Esses comentários foram exemplificados com leituras de trechos dos capítulos: 6 (Segunda carta de Nina a Valdo Meneses), 7 (Segunda narrativa do farmacêutico), 8 (Primeira confissão de Ana) e 54 (Do livro de memórias de Timóteo (II)). Se esqueci de algum capítulo, peço a gentileza de que os presentes façam a emenda nos comentários.

Para o próximo encontro, a realizar-se no dia 08 de junho com discussões a respeito da mesma obra, teremos a oportunidade de ampliar as discussões, abarcando aspectos como a relação de Nina com André, os tormentos de Ana e outros mais.

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Promoção Bullying – Resultado

Resultado da promoção do livro autografado Bullying e suas implicações no ambiente escolar:

A ganhadora, que deve comentar este post deixando e-mail de contato no texto, foi Ingride Peçanha.

Parabéns e boa leitura!

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