Arquivo do mês: fevereiro 2013

Encontro de 16 de fevereiro de 2013

Com o enriquecimento das diversas referências a outros escritos wildianos, como o teatro, a poesia, as epístolas e outros, os membros do Sempre um Livro tiveram a oportunidade de curtir uma boa discussão sobre O retrato de Dorian Gray no último sábado. Não foram deixadas de lado, outrossim, as adaptações cinematográficas deste romance e da vida de Wilde.

Impossível deixar de notar que a vida do escritor é quase tão envolvente quanto sua literatura, e foi tema de diversos comentários ao longo do encontro. Além disso, falou-se do tema da Estética em Oscar Wilde, tão bem expressa na obra lida ao longo do último mês; da qualidade literária da mesma; e das possíveis relações entre esta e outras obras.

Mais um aspecto a destacar: o debate sobre o problema da tradução teve lugar mais uma vez. Uma prova de que os membros do Sempre um Livro têm construído um diálogo criativo e constante, ao longo de seu tempo de atividade. No primeiro encontro de 2012, sobre o livro Fausto, de Goethe, um intenso debate sobre este mesmo problema foi colocado, e a questão certamente continua ecoando.

VOTAÇÃO

Bullying

Em concorrência com A negação da morte (Ernest Becker) e Elogio da loucura (Erasmo de Roterdã), foi eleito o texto de Sônia Maria de Souza Pereiraintitulado Bullying e suas implicações no ambiente escolar.

Mais uma vez, portanto, os integrantes deste Grupo de Leituras terão a oportunidade de refletir temas concernentes à temática da Educação.

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O retrato de Dorian Gray

Sobre o livro do mês deste nosso grupo, escrevi um pequeno texto, em que faço referência a algumas curiosidades bem como aponto algumas das influências do escritor, Oscar Wilde, que foram fundamentais para a elaboração deste importantíssimo romance.

O livro tem muito de mim mesmo. Basil Hallward é o que eu penso ser; Lorde Henry, o que o mundo pensa que sou; Dorian, o que eu gostaria de ser”

Oscar Wilde, sobre “O retrato de Dorian Gray” em carta de 12 de fevereiro de 1894 a Ralph Payne (SCHIFFER, 2010, p. 156).

A propósito dO retrato de Dorian Gray

(clique no título para acessar o texto, em PDF)

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De Profundis (Oscar Wilde)

“Culpo a mim mesmo por ter permitido que uma amizade que nada tinha de intelectual, uma amizade cujo objetivo principal jamais foi a criação ou a contemplação do belo, dominasse inteiramente a minha vida.” (p. 13)

Escrita no final de seu período de reclusão naquela que chamou “Casa da Dor”,deprofundis a obra postumamente publicada sob o título (colocado por Robert Ross) De profundis foi, originariamente, uma extensa carta de Oscar Wilde para seu amante Lord Alfred Douglas (Bosie), filho daquele que foi o responsável pelo seu encarceramento, o Marquês de Queensberry.

Trata-se de um relato, eivado de rancor, em que Wilde aponta as diversas tragédias que marcaram a relação amorosa entre ele e Bosie, apontando a culpa deste em suas longas fases de inatividade artística, a bancarrota financeira a que foi levado, e a decadência moral a que submeteu a própria personalidade:

“Nossa malfadada e lamentável amizade acabou levando-me à ruína e ao descrétido público e, no entanto, a lembrança da antiga afeição que nos unia está sempre comigo e é bem triste para mim pensar que o ódio, o desprezo e o rancor tomarão para sempre em meu coração o lugar antes ocupado pelo amor” (p. 11)

Neste texto, é possível ainda vislumbrar uma considerável parte dedicada à peculiar situação em que Wilde se encontrava, uma espécie de transição religiosa, posto que ao fim da vida chegou a se converter ao Catolicismo. Há diversas passagens com grande exaltação de Jesus Cristo.

Além disso, pode-se encontrar informações de quão cruel era o sistema penitenciário à época de Wilde, o que se confirma pelas cartas que ele escreveu, após sua libertação, para o jornal Daily Chronicle (duas delas disponíveis na edição da Editora L&PM do De profundis).

O texto causou polêmica, especialmente com aquele que é o seu personagem principal e destinatário: Alfred Douglas. Houve, inclusive, tentativas de eliminá-lo ou impedir sua publicação, o que só ocorreu, de forma completa, em 1945, sob a organização do segundo filho de Oscar, Vyvyan Holland.

Ser levado “do sublime da obra de arte ao sórdido das notícias policiais” por um amor intenso e absurdo, chegando a ser reduzido a “restos de si mesmo”. Esta foi a linha seguida pelo relacionamento de Oscar Wilde e Lord Alfred Douglas, que o escritor teve a oportunidade de descrever nesta carta “das profundezas”, com grande rancor, redigida na cela de uma perversa instituição prisional.

REFERÊNCIA

WILDE, Oscar. De profundis. In: ______. De profundis e outros escritos do cárcere. Porto Alegre: L&PM, 2011. (L&PM Pocket). p. 5-150.

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