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De Profundis (Oscar Wilde)

“Culpo a mim mesmo por ter permitido que uma amizade que nada tinha de intelectual, uma amizade cujo objetivo principal jamais foi a criação ou a contemplação do belo, dominasse inteiramente a minha vida.” (p. 13)

Escrita no final de seu período de reclusão naquela que chamou “Casa da Dor”,deprofundis a obra postumamente publicada sob o título (colocado por Robert Ross) De profundis foi, originariamente, uma extensa carta de Oscar Wilde para seu amante Lord Alfred Douglas (Bosie), filho daquele que foi o responsável pelo seu encarceramento, o Marquês de Queensberry.

Trata-se de um relato, eivado de rancor, em que Wilde aponta as diversas tragédias que marcaram a relação amorosa entre ele e Bosie, apontando a culpa deste em suas longas fases de inatividade artística, a bancarrota financeira a que foi levado, e a decadência moral a que submeteu a própria personalidade:

“Nossa malfadada e lamentável amizade acabou levando-me à ruína e ao descrétido público e, no entanto, a lembrança da antiga afeição que nos unia está sempre comigo e é bem triste para mim pensar que o ódio, o desprezo e o rancor tomarão para sempre em meu coração o lugar antes ocupado pelo amor” (p. 11)

Neste texto, é possível ainda vislumbrar uma considerável parte dedicada à peculiar situação em que Wilde se encontrava, uma espécie de transição religiosa, posto que ao fim da vida chegou a se converter ao Catolicismo. Há diversas passagens com grande exaltação de Jesus Cristo.

Além disso, pode-se encontrar informações de quão cruel era o sistema penitenciário à época de Wilde, o que se confirma pelas cartas que ele escreveu, após sua libertação, para o jornal Daily Chronicle (duas delas disponíveis na edição da Editora L&PM do De profundis).

O texto causou polêmica, especialmente com aquele que é o seu personagem principal e destinatário: Alfred Douglas. Houve, inclusive, tentativas de eliminá-lo ou impedir sua publicação, o que só ocorreu, de forma completa, em 1945, sob a organização do segundo filho de Oscar, Vyvyan Holland.

Ser levado “do sublime da obra de arte ao sórdido das notícias policiais” por um amor intenso e absurdo, chegando a ser reduzido a “restos de si mesmo”. Esta foi a linha seguida pelo relacionamento de Oscar Wilde e Lord Alfred Douglas, que o escritor teve a oportunidade de descrever nesta carta “das profundezas”, com grande rancor, redigida na cela de uma perversa instituição prisional.

REFERÊNCIA

WILDE, Oscar. De profundis. In: ______. De profundis e outros escritos do cárcere. Porto Alegre: L&PM, 2011. (L&PM Pocket). p. 5-150.

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