Arquivo do mês: dezembro 2013

Encontro de 07 de dezembro 2013

Recebendo vários elogios, no que concerne à forma e ao conteúdo de seus escritos, o autor russo Anton Tchékhov figurou como alvo das conversas do Sempre um Livro no último sábado. Baseando-se na edição da editora L&PM (embora não tenha sido a única presente no encontro), os membros do Grupo de Leituras fizeram apreciações gerais sobre o realismo literário de Tchékhov e sua precisa forma de escrita. Foi, também, a estréia de Pedro Uchôas como anfitrião do encontro, tendo ele se saído muito bem.

LIVRO-OCULTO

Aproveitando o período de confraternização e de festas de fim de ano, o Grupo de Leituras Sempre um Livro realizou um “livro-oculto” entre seus membros, isto é, uma espécie de amigo-oculto em que os presentes são exclusivamente livros. Foi um momento de descontração e que permitiu aos integrantes perceber como seus colegas, interlocutores do grupo, percebem uns aos outros enquanto leitores. Valeu a experiência!

VOTAÇÃO

Para o próximo encontro, foi escolhido o livro de Arthur Schnitzler de nome Breve romance de sonho. Tal obra venceu, em votação, os concorrentes a seguir: Freud – mas por que tanto ódio? (Elisabeth Roudinesco), Ratos e homens (John Steinbeck), A chave de casa (Tatiana Salem Levy) e Aldeia do silêncio (Frei Betto).

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

“A dama do cachorrinho e outras histórias”

Imagem

Por Pedro Uchoas

A obra lida no mês de Novembro pelos integrantes do grupo Sempre um Livro foi “A dama do cachorrinho e outras histórias”.

Sendo uma compilação de contos do escritor russo Anton Pavlovich Tchékhov feita pela editora L&PM POCKET, o livro é preenchido por 12 contos, entre eles ” A dama do cachorrinho”, que dá título à compilação, “Iônytch” e “A morte do funcionário”.

Com o marcante início a partir dos contos curtos e concisos, que ilustram uma primeira fase do autor repleta de curtas narrativas, o livro em questão traz importantes abordagens de uma vida costumeira russa, seja ela a vida de um mujique (nome dado aos camponeses russos) ou de um integrante da pequena burguesia.

Em “Iônytch”, por exemplo, torna-se possível a percepção de um tipo de narrativa íntima da descrição mais próxima de um cotidiano repleto de repetições exaustivas de uma mesma vida já quase cansada. O Dr. Dmítri Iônytch Stártsev mostra-se apaixonado, porém sob a recusa de um casamento devido ao sonho de sua pretendida de se tornar uma pianista afamada acaba caindo em um cotidiano decadente, pintado muito bem a partir de sua fala, no auge de sua aceitação: ” … como se vive aqui? De modo algum! Envelhecemos, engordamos, nos degradamos.”

Traço marcante de toda a sua obra, tanto na prosa quanto no teatro, as descrições dos espaços urbanos e rurais fazem parte de um entrelaçado de retratos muito bem definidos de um ambiente aparentemente simples, com detalhes importantes quanto à participação na criação de um local favorável para a própria demonstração de um sentimento sutil. Uma poltrona aconchegante, enquanto um cheiro de cebola escapa da cozinha ( uma das cenas inicias de “Iônytch), e uma névoa suave que circunda os espaçamentos entre as árvores e os arbustos (cena do conto “Vérotchka”) podem muito bem significar algum tipo de aconchego e suavidade quanto ao próprio personagem.

Acima de tudo, Tchékhov prossegue demonstrando a vida como ela é a cada conto, descrevendo uma rotineira existência onde um ambiente calmo e pacato é preenchido de uma pasmaceira e conformada vida. Como disse certa vez o poeta russo Vladimir Maiakovski: ” Tchékhov introduziu na literatura russa os nomes rudes dos objetos rudes.”

Bibliografia:

TCHÉKHOV, Anton. O assassinato e outras histórias. Tradução: Rubens Figueiredo – São Paulo: Abril, 2010. (Clássicos Abril Coleções; v.22).

TCHÉKHOV, Anton. A dama do cachorrinho e outras histórias. Tradução: Maria Aparecida Botelho Pereira Soares. – Porto Alegre: L&PM, 2012. (Coleção L&PM POCKET; v. 749).

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Biografia de Anton P. Tchékhov

Imagem

Por Pedro Uchoas

Grande precursor do moderno conto russo, Anton Pavlovich Tchékhov nasceu em Taganróg, Rússia, no ano de 1860. Filho de Pavel Iegorovitch Tchékhov e Eugênia Kakovlevna Morozov, o jovem Tchékhov inicia seus estudos na escola grega do czar Constantino e logo depois no ginásio de Taganróg.

A vida não era das mais fáceis para a família do futuro escritor, que possuía 5 irmãos. O pai de Anton possuía uma mercearia em Taganróg e todos os filhos, sob castigos severos, eram obrigados a ajudá-lo. Posteriormente, Tchékhov chegaria a escrever: ” Ao acordar, a primeira coisa em que eu pensava era: será que vou ser espancado hoje?”

Em 1876 sua família se muda para Moscou e ele se vê obrigado à continuar vivendo em Taganróg até completar seus estudos, porém, garantindo a própria sobrevivência através de aulas particulares.

No ano de 1879, Tchékhov chega a Moscou e inicia seus estudos na universidade, cursando Medicina. Em tal época, sua família vivia em condição de miséria e, escrevendo contos e pequenas narrativas para publicações em periódicos, o autor, adotando o pseudônimo de Antocha Tchekónte, conseguiu ajudar financeiramente os pais e os irmãos.

Em 1888, recebe o prêmio Púchkin de literatura, um dos maiores prêmios da época na Rússia, terminando de vez seus anos de miséria.

Com o pai já morto desde 1898, em 1901 se casa com a atriz do Teatro de Arte de Moscou, Olga Knipper.

Tuberculoso desde os 26 anos e com a saúde cada vez mais debilitada, se muda para Ialta, na Criméia, e , no ano de 1904, monta residência em Badenweiler, Alemanha, onde viria a padecer.

Com mais de uma centena de contos publicados, algumas peças de teatro, entre elas “Três irmãs” e “A gaivota”, e algumas novelas afamadas, Anton P. Tchékhov vem a falecer no dia 1º de julho de 1904, aos 44 anos de idade.

Mesmo possuindo um certo asco a respeito das publicações autobiográficas, o autor deixou escrito um curto trecho autobiográfico que se segue:

Eu, A. P. Tchékhov, nasci a 17 de janeiro de 1860 em Taganróg. Estudei primeiramente na escola grega da igreja do Czar Constantino e depois no ginásio de Taganróg. Em 1879, ingressei na faculdade de medicina da Universidade de Moscou. Tinha, então, uma ideia muito vaga sobre as faculdades e nem lembro por que motivo escolhi a faculdade de medicina, mas depois não me arrependi dessa escolha. Ainda no primeiro ano, comecei a publicar nas revistas e jornais semanais, e esses trabalhos literários assumiram, já no início da década de 1880, um caráter contínuo e profissional. Em 1888, recebi o prêmio Púchkin. Em 1890, viajei à ilha de Sacalina para, mais tarde, escrever um livro sobre a nossa colônia penal de deportação e trabalhos forçados. Afora relatórios judiciários, pareceres, artigos satíricos, notinhas de jornal, afora tudo o que redigi diariamente para os periódicos e que agora seria difícil encontrar e reunir, escrevi e publiquei mais de trezentas páginas de novelas e contos em meus vinte anos de atividade literária. Também escrevi peças de teatro.”

Bibliografia:

TCHÉKHOV, Anton. O assassinato e outras histórias. Tradução: Rubens Figueiredo – São Paulo: Abril, 2010. (Clássicos Abril Coleções; v.22).

TCHÉKHOV, Anton. A dama do cachorrinho e outras histórias. Tradução: Maria Aparecida Botelho Pereira Soares. – Porto Alegre: L&PM, 2012. (Coleção L&PM POCKET; v. 749).

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria