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Wilde (filme)

Para conhecer um pouco mais da vida do autor do mês Oscar Wilde, fica a indicação do filme Wilde (Reino Unido, 1997, Direção de Brian Gilbert). Trata-se de um filme biográfico, a partir do final do período de turnê do escritor pela América, no ano de 1882, até a saída da prisão, em 1897.

Este período abarca o casamento com Constance Lloyd, o nascimento e a

Filme "Wilde" (1997)

Filme “Wilde” (1997)

infância dos dois filhos e, principalmente, a relação de Wilde com Robert (Robbie) Ross, além da conturbadíssima ligação amorosa do escritor com Lord Alfred Douglas (Bosie). É basicamente em torno deste amor que gira a história do filme, chegando ao auge no processo/condenação sofrida por Wilde a partir de ações do marquês de Queensberry, pai de Bosie.

Destaca-se a preocupação com a estruturação do personagem Oscar Wilde, sobretudo seu tom de voz, tão recorrentemente citado como sedutor e bem colocado. Além disso, o filme conta com a citação de algumas passagens de textos de Wilde.

É, portanto, um interessante filme, para quem quer conhecer parte da “extraordinária” vida do famigerado Oscar Wilde.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=_Y7NGglgjCU

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Machado de Assis

PEQUENA BIOGRAFIA DE MACHADO DE ASSIS [1]

Ivan Bilheiro

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro, e faleceu na mesma cidade, em 29 de setembro de 1908. Herdou de seus importantes padrinhos os nomes: Joaquim Alberto de Souza Siqueira (dignitário do Paço, oficial da Ordem Imperial do Cruzeiro e comendador da Ordem de Cristo) e Maria José de Mendonça Barroso (Viúva do oficial Bento Pereira Barroso, ex-Ministro e Senador do Império).

Era filho de uma lavadeira açoriana (da Ilha de São Miguel), Maria Leopoldina Machado de Assis, e de um pai mulato e pintor [2] de nome Francisco José de Assis. A mãe o deixou logo, por volta do ano de 1849. O pai, que se uniu a uma outra lavadeira, também mulata, de nome Maria Inês, faleceu em 1851.

Então, Machado de Assis, menino fraco, raquítico e epilético, mudou-se com a madrasta. Ela empregou-se como cozinheira do Colégio São Cristóvão e o menino ficou responsável por vender, à rua, as balas por ela fabricadas. Com Maria Inês, Machado aprendeu as primeiras letras. Também aprendeu francês, com uma dona de padaria chamada Senhora Gallot [3]; e latim, ao tornar-se sacristão na Igreja da Lampadosa.

Já rapaz, encantou-se com a Livraria e Tipografia Paula Brito, e em 1855 empregou-se ali, como auxiliar/aprendiz de tipógrafo.

Segundo alguns dos textos biográficos, a primeira publicação de Machado de Assis deu-se no jornal de Francisco de Paula Brito, dono da Tipografia, chamado “Marmota Fluminense”. Seria o poema “Ela” [4], datado de 1855. Contudo, na biografia disponível no sítio da Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual Machado de Assis foi fundador, consta que a primeira publicação do escritor teria sido no ano de 1854, com um soneto de título “À Ilma. Sra. D. P. J. A.”, no Periódico dos Pobres de 3 de outubro daquele ano.

Em 1856, Machado passou ao periódico Imprensa Nacional, o qual era dirigido pelo romancista Manuel Antônio de Almeida. No trabalho, Machado de Assis era flagrado lendo constantemente. O diretor, ao invés de o repreender, o tomou como protegido e discípulo, e só o estimulava.

Paralelamente, Machado continuava seus estudos, sob a batuta do padre Silveira Sarmento.

Em 1859 [5], transferiu-se para o Correio Mercantil, tornando-se revisor de provas. No mesmo ano, fundou a revista O espelho (com Eleutério de Souza) [6] e, em 1860, a convite de Quintino Bocaiúva, passou a escrever para o Diário do Rio de Janeiro. Escrevia regularmente, também, para a Semana Ilustrada e para o Jornal das Famílias.

Nestes trabalhos, Machado atuou como cronista e crítico teatral, o que o levou a tentar as primeiras peças, Hoje avental, amanhã luvaDesencantos, ambas de 1861. Em 1864, Machado de Assis publica seu primeiro livro de poesias, chamado Crisálidas.

Conheceu Carolina Augusta Xavier de Novais, irmã de seu amigo, o poeta Faustino Xavier de Novais, em 1867. Casou-se com a moça em 12 de novembro de 1869 [7].

Auxiliar de diretor no Diário Oficial desde 1867, escrevendo constantemente, e passando a ocupar importantes cargos públicos, Machado tem fase desgastante e, por recomendação médica, viaja a descanso para Nova Friburgo, em 1874. Ao retornar, lança Memórias Póstumas de Brás Cubas, em 1880 (“feita aos pedaços na Revista Brasileira”, como diz o autor, no Prólogo à Quarta Edição) iniciando nova fase como escritor [8].

Chegou a fundar um Grêmio de Letras e Artes, o qual só durou 3 anos. Depois, em 1896, fundou, com outros importantes intelectuais, a Academia Brasileira de Letras. Segundo o sítio da própria Academia, ocorreram sete reuniões preparatórias, sendo a primeira datada de 15 de dezembro de 1896, na qual Machado foi logo aclamado presidente (cargo que ocupou até a morte). A sétima destas sessões foi em 28 de janeiro de 1897, e nesta efetivou-se a instituição da Academia. A sessão inaugural, por sua vez, só ocorreu em 20 de julho de 1897.

Em 1904, Machado fez outra viagem para descanso e, neste mesmo ano, sua esposa faleceu, em 20 de outubro.

Já em 1908, pouco depois de publicar Memorial de Aires, Joaquim Maria Machado de Assis falece (29 de setembro), e recebe uma última saudação de ninguém menos que Rui Barbosa.

O escritor, de origem humilde e severa persistência, muitas vezes tomado como o maior de todos entre os brasileiros, deixou vasta e importante obra, marcando em definitivo a história da literatura.


[1] A maior parte das informações foi retirada da biografia A vida de Machado de Assis contida no volume ASSIS, Machado de. Helena; O alienista. São Paulo: Editora Três, 1972. (Obras imortais da nossa literatura). Houve, ainda, cotejo com os dados biográficos contidos nas seguintes obras:

ASSIS, Machado de. Contos. 6. ed. São Paulo: Ática, 1977. (Bom livro).

______. Memórias Póstumas de Brás Cubas; Dom Casmurro. São Paulo: Abril Cultural, 1982.

BIOGRAFIA – MACHADO DE ASSIS. Disponível em <http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=659&sid=240>. Acesso em 30 out. 2012.

PATRICK, Julian (edt.). 501 grandes escritores: um guia abrangente sobre os gigantes da literatura. Rio de Janeiro: Sextante, 2009.

SALES, Herberto (org.). Antologia escolar de contos brasileiros. 14. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997.

[2] O pai é colocado como “operário” na biografia disponível no sítio da Academia Brasileira de Letras.

[3] Algumas biografias suprimiram a atuação desta senhora, afirmando que Machado aprendeu sozinho o francês.

[4] Segundo a biografia contida no volume com Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, o primeiro poema teria como título “Meu Anjo”.

[5] A biografia da ABL coloca o ano de 1858.

[6] A biografia da ABL não fala que Machado foi fundador da revista O espelho. Só há referência às suas colaborações, como escritor. Na dissertação “A Marmota e seu perfil editorial: contribuição para edição e estudo dos textos machadianos publicados neste periódico (1855-1861)”, apresentada à Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), a pesquisadora Juliana Siani Simionato também fala que Machado contribuiu já no primeiro número de O espelho, mas seu fundador foi Eleutério de Souza.

[7] No volume com Helena e O alienista, o ano do casamento aparece como sendo 1868.

[8] No volume com os Contos, consta que a viagem foi feita entre 1878 e 1879. Esta data faz mais sentido se relacionada com a proximidade da publicação de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, posto que é dito que foi publicada “em seguida” à viagem. Destaca-se, ainda, que algumas biografias colocam a publicação desta obra no ano de 1881.

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Georges Balandier

BalandierO autor do mês no grupo Sempre um Livro é o francês Georges Léon Émile Balandier, nascido em 21 de dezembro de 1920. Entre outras obras importantes no âmbito da sociologia, escreveu aquela por nós escolhida: O dédalo: para finalizar o século XX.

Professor emérito da Sorbonne (Université René Descartes, Paris-V), é sociólogo, antropólogo e etnólogo. Atuou politicamente e fez estudos ligados à cultura africana, tendo inaugurado a cátedra de Sociologia da África na instituição em que é docente. É diretor de estudos na “École des Hautes Études en Sciences Sociales” e colaborador do “Centre d’Études Africaines”.

Entre seus parceiros de trabalho, encontram-se o sociólogo Michel Maffesoli, com o qual fundou o Centre d’Études sur l’actual et le quotidien, e Alfred Sauvy, o qual, em uma publicação da década de 1950, cunhou a expressão “Terceiro Mundo”.

Intelectual de renome, Balandier fez profundas análises sobre a cultura contemporânea, entre as quais aquela exposta na obra do mês de nosso grupo de leituras.

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