Albert Camus (1913-1960)

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Hoje, 07 de novembro de 2013, Albert Camus – autor da obra do mês, O estrangeiro – estaria completando 100 anos. A publicação desta pequena biografia responde, pois, não apenas às práticas do Sempre um livro, mas também ao ensejo do grupo de homenagear o escritor em data assim significativa.

Camus nasceu em Mondovi, Argélia. Era o segundo filho de Lucien Camus, colono de origem francesa, e de Catherine Sintès, quem possuía origem espanhola. No ano seguinte (1914) seu pai é mobilizado para a I Guerra Mundial, vindo a falecer na batalha do Marne, em outubro. Depois da mobilização de Lucien Camus, Catherine se muda com os dois filhos para a casa de sua mãe, situada em um bairro popular da capital, Argel. Para prover o sustento da família a viúva passa a exercer a função de doméstica e é com a ajuda de seu professor, Louis Germain, que Camus conseguirá bolsas para concluir seus estudos.

Em outubro de 1930 o escritor ingressa na faculdade de Filosofia, onde estuda com Jean Grenier. Em dezembro do mesmo ano se manifestam os primeiros sintomas da tuberculose.

Dois anos depois ele publica seus primeiros ensaios na revista Sud e em 1934 desposa a rica e volúvel Simone Hié.  As bodas durarão até 1936.

Em 1935 funda com alguns amigos uma companhia teatral chamada Théâtre du Travail. Também neste ano se filia ao Partido Comunista, do qual se desligará dois anos depois.

No ano de 1940 Camus se muda para Paris para incorporar-se à redação de Paris-Soir e exercer o cargo de leitor de textos na editora Gallimard, pela qual publicará a maior parte de suas obras. Na metrópole, ele se engaja no movimento da Resistência e começa a publicar artigos no jornal clandestino Combat.

Embora já houvesse escrito uma novela, uma peça de teatro e dois livros de ensaios enquanto ainda vivia na Argélia, é na França e a partir dos anos 40 que o autor encontrará a consagração. Seu romance O estrangeiro vem a lume em 1942, mesmo ano da publicação do ensaio O mito de Sísifo. Ambas as obras se incluem no que se convencionou chamar de ciclo do absurdo, um tema também presente nas peças de teatro Calígula (1944) e O mal entendido (1944).

Outros dois grandes temas enfocados por Camus foram a revolta e a solidão. A primeira está no cerne das obras A peste (romance, 1947), O estado de sítio (teatro, 1948 – escrita em colaboração com Jean-Louis Barrault), Os justos (teatro, 1950) e O homem revoltado (ensaio, 1951). Aliás, este ensaio provoca o rompimento de Camus com Jean Paul Sartre, outro grande nome da literatura e filosofia francesas.

A solidão comparece em outro ciclo de obras: A queda (romance, 1956), O exílio e o reino (contos, 1957) e O primeiro homem (romance gestado nos anos 50 e só publicado postumamente em 1995).

A eclosão da guerra da Argélia em 1954 (guerra esta que só terminará em 1962, quando o autor já está morto) coloca o escritor em uma encruzilhada: contrário a quaisquer atos violentos – tanto o terrorismo de Estado como a violência revolucionária – e sentindo-se ligado tanto à sua Argélia natal como à metrópole, onde residia e estava fazendo carreira, Camus defende um complicado meio termo, desejando uma Argélia liberta do jugo colonial, mas não independente da França.

Em 1957, contrariando todas as previsões, Camus é galardoado com o Prêmio Nobel de Literatura “por sua importante produção literária, que, com seriedade lúcida ilumina os problemas da consciência humana em nossos tempos” [1].

Albert Camus morreu em 1960, num trágico acidente de carro ocorrido quando retornava a Paris, saindo de Lourmarin, onde veio a ser enterrado.

[À parte]

Para nós, brasileiros, cobra especial interesse a visita que Camus fez ao país em 1949, como parte de um tour à América do Sul bancado pelo governo francês. Na terra brasilis o escritor travou contato com intelectuais como Oswald de Andrade, Murilo Mendes e Manuel Bandeira e com manifestações culturais as mais diversas: “levaram-no até a uma sessão de macumba no subúrbio carioca de Caxias, a um bumba meu boi no Recife, a um candomblé em Salvador” [2]. A quem se interessar o relato dessa viagem se encontra disponível no livro Diário de Viagem, publicado postumamente.

[Notas]

[1] Justificativa da Academia Sueca para concessão do Prêmio Nobel de Literatura a Albert Camus. Tradução ao português encontrada na Wikipédia.

[2] Cito trecho do texto do jornalista Sérgio Augusto publicada no último dia 02/11 no Estado de São Paulo. Ver referências mais abaixo.

[Referências]

http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/literature/laureates/1957/ [página do site oficial do Prêmio Nobel, em inglês]

http://www.etudes-camusiennes.fr/wordpress/ [página da Societé des Études Camusiennes, em francês]

http://www.camus-society.com/index.html [site da Albert Camus Society, em inglês]

http://webcamus.free.fr/index.html [página em francês dedicada a Albert Camus]

Reportagens: http://www.publico.pt/cultura/jornal/albert-camus–autor-de-o-estrangeiro-nasceu-ha-cem-anos-27363849 e http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed771_o_homem_deprimido

[Créditos da foto] Albert Camus – © Bettmann/CORBIS

Fonte aqui: http://www.lepoint.fr/culture/2009-11-19/albert-camus-au-pantheon/249/0/397028

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