O Idiota

Isabella Mendes

O romance O Idiota, de Fiódor Dostoiévski, foi escrito em Florença entre os anos de 1867 e 1868, publicado em 1869. Concebido entre crises de epilepsia, perturbações nervosas, viagens e sob a pressão de dívidas de jogo, o romance narra a história de um dos mais importantes personagens da literatura mundial: o Príncipe Míchkin. Durante o processo de criação de sua obra e profundamente influenciado pela clássica novela de Cervantes, Dom Quixote, é possível observar várias semelhanças entre o herói espanhol e o príncipe russo.

A história do romance se desenvolve a partir de um príncipe herdeiro que, por alguns anos, permanece na Suíça para se recuperar de uma enfermidade conhecida como idiotia. Quando este se considera curado, retorna a Rússia. Nesta mesma ocasião ele conhece a inconstante e imprevisível Aglaia, uma das filhas do casal Epantchiná, com quem ele tem remoto parentesco, e passa a nutrir pela jovem uma profunda afeição. O príncipe, que também é epilético, é a encarnação da bondade, da sinceridade, da fantasia e da inocência, qualidades que muitas vezes são confundidas com patetice e estupidez.

Dostoiévski, em O Idiota, através do personagem Míchkin, o nobre protagonista da obra, cria uma espécie de avatar moderno de Jesus, dotado de inocência moral e, portanto, desprovido de qualquer consciência de culpabilidade, circunstância que impede o envenenamento existencial de seu psiquismo e a distorção das suas valorações sobre a realidade turbulenta com a qual se depara. Míchkin possui ainda algo de quixotesco, circunstância que o torna aparentemente extravagante ao olhar sempre obtuso do vulgo, incapaz de ver a nobreza de espírito dos homens extraordinários. No romance, o príncipe Míchkin retorna para São Petersburgo, em um dos melhores estados de saúde que atingira até então, após vários anos em tratamento com um médico que o havia praticamente adotado na Suíça, a fim de entrar em contato com uma possível parenta sua, a generala Iepántchina. Ao estabelecer relações com a família desta, o príncipe se envolve em uma série de infortúnios por conta de seu caráter insólito, marcado pela absoluta falta de resistência aos seus mais violentos opositores.” (BITTENCOURT, p. 104 e 105)

Por outro lado, Míchkin não é o “idiota” que aparenta ser, a personagem é perceptivo, sagaz e inteligente. Ele tem a capacidade de vislumbrar o interior das pessoas, de conhecer a essência dos que o cercam. E desta forma, o príncipe consegue conhecer muito bem as pessoas que estão a sua volta sem deixar que ela percebam. O protagonista deste romance, além de ser o último de sua linhagem familiar, parece também ser o único remanescente de uma Rússia mais verdadeira e correta, uma Rússia idealizada, de certa forma, por Dostoiévski, já desencantado com seu país, ele retrata nas páginas desta obra momentos intensos e terríveis.

Nas criações de Dostoiévski, sempre aparecem questões que assombram sua existência, tais como os surtos convulsivos, a crise financeira e o vício nos jogos. Com O Idiota, não seria diferente. sua obra está repleta de profundas interpretações de natureza psicológica, narrativas inquietantes e humor inteligente. Sua visão de mundo e seus ideais também estão presentes, bem como males que permearam a vida do escritor, como a epilepsia que o assediou por toda a vida e as mulheres que ele amou.

Referências:

http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Idiota

http://www.infoescola.com/livros/o-idiota/

BITTENCOURT, Nunes, a psicologia da idiotia em Dostoiévski e Nietzsche

PDF: http://www.psicanaliseefilosofia.com.br/adverbum/vol6_1/06_01_08psicologiadostoievski.pdf

DOSTOIÉVSKI, Fiódor, O Idiota, tradução de Paulo Bezerra, editora 34, 2002, São Paulo

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