“A dama do cachorrinho e outras histórias”

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Por Pedro Uchoas

A obra lida no mês de Novembro pelos integrantes do grupo Sempre um Livro foi “A dama do cachorrinho e outras histórias”.

Sendo uma compilação de contos do escritor russo Anton Pavlovich Tchékhov feita pela editora L&PM POCKET, o livro é preenchido por 12 contos, entre eles ” A dama do cachorrinho”, que dá título à compilação, “Iônytch” e “A morte do funcionário”.

Com o marcante início a partir dos contos curtos e concisos, que ilustram uma primeira fase do autor repleta de curtas narrativas, o livro em questão traz importantes abordagens de uma vida costumeira russa, seja ela a vida de um mujique (nome dado aos camponeses russos) ou de um integrante da pequena burguesia.

Em “Iônytch”, por exemplo, torna-se possível a percepção de um tipo de narrativa íntima da descrição mais próxima de um cotidiano repleto de repetições exaustivas de uma mesma vida já quase cansada. O Dr. Dmítri Iônytch Stártsev mostra-se apaixonado, porém sob a recusa de um casamento devido ao sonho de sua pretendida de se tornar uma pianista afamada acaba caindo em um cotidiano decadente, pintado muito bem a partir de sua fala, no auge de sua aceitação: ” … como se vive aqui? De modo algum! Envelhecemos, engordamos, nos degradamos.”

Traço marcante de toda a sua obra, tanto na prosa quanto no teatro, as descrições dos espaços urbanos e rurais fazem parte de um entrelaçado de retratos muito bem definidos de um ambiente aparentemente simples, com detalhes importantes quanto à participação na criação de um local favorável para a própria demonstração de um sentimento sutil. Uma poltrona aconchegante, enquanto um cheiro de cebola escapa da cozinha ( uma das cenas inicias de “Iônytch), e uma névoa suave que circunda os espaçamentos entre as árvores e os arbustos (cena do conto “Vérotchka”) podem muito bem significar algum tipo de aconchego e suavidade quanto ao próprio personagem.

Acima de tudo, Tchékhov prossegue demonstrando a vida como ela é a cada conto, descrevendo uma rotineira existência onde um ambiente calmo e pacato é preenchido de uma pasmaceira e conformada vida. Como disse certa vez o poeta russo Vladimir Maiakovski: ” Tchékhov introduziu na literatura russa os nomes rudes dos objetos rudes.”

Bibliografia:

TCHÉKHOV, Anton. O assassinato e outras histórias. Tradução: Rubens Figueiredo – São Paulo: Abril, 2010. (Clássicos Abril Coleções; v.22).

TCHÉKHOV, Anton. A dama do cachorrinho e outras histórias. Tradução: Maria Aparecida Botelho Pereira Soares. – Porto Alegre: L&PM, 2012. (Coleção L&PM POCKET; v. 749).

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