O multifacetado J. W. Goethe

“Quanto errei, quanto vivi,
Quanto aspirei e sofri,
Só flores num ramo — aí estão;
E a velhice e a juventude,
E o erro e a virtude
Ficam bem numa canção.”

(Aos Leitores Amigos – J. W. Goethe)

Caros amigos do Sempre um livro e demais leitores, inicio hoje, de fato, as atividades deste blog. Criado há quatro meses, devido a várias outras atividades desenvolvidas pelos membros do grupo (o sempre corrido fim de período talvez tenha sido a principal delas), ainda não teve muitos textos publicados. Agora em 2012 dou o pontapé inicial, falando um pouco do autor que estamos lendo no momento: Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832).

A obra dos meses de dezembro, janeiro e fevereiro é Fausto e terá comentários mais específicos sobre ela em breve, por enquanto o foco é no autor, Goethe. Nascido a 28 de agosto de 1749, em Frankfurt, Alemanha, Goethe é marcado por uma dupla precocidade e também por um caráter multifacetado, foi, além de poeta, um amante da filosofia e da ciência, fazendo incursões em ambos os campos.

A dupla precocidade se dá no campo literário e sentimental. Recebeu influências da literatura francesa, de escritores como Molière (1622-1673), Racine (1639-1699), Voltaire (1694-1778) e já aos dez anos começou a esboçar seus primeiros versos. O detalhe é que a literatura alemã de sua época de criança era muito pouco prestigiada em toda Europa, o que Goethe ainda não sabia era que ele e mais alguns autores contemporâneos a ele mudariam e muito essa fama, muito em virtude do movimento que ficou conhecido como Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto), que se opunha ao Iluminismo, tão em voga na época e que acabou servindo de porta de entrada para o Romantismo. Também cedo Goethe teve suas primeiras paixões, seus encontros e desencontros amorosos influenciaram de maneira bem forte suas obras, em especial aquela que marcou definitivamente Goethe na literatura do século XVIII: Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774).

Pouco depois da publicação de Werther, em 1775, Goethe é convidado pelo Duque Carlos Augusto (1757-1828) para administrar o ducado de Weimar. Nesse posto Goethe passa boa parte de sua vida e as publicações de livros e poemas não param (assim como suas aventuras amorosas).

Na última década do século XVIII, Goethe tem boa parte de suas funções administrativas no ducado de Weimar retiradas, e começa a se ocupar com assuntos relacionados à Universidade de Iena. É aí que ele terá um contato mais direto com a filosofia da época, vários nomes podem ser citados, como os de Fichte (1762-1814), Herder (1744-1803), Schiller (1759-1805) e, em especial, Schelling (1775-1854), de quem foi tutor e admirador em Iena. O interesse de Goethe pela filosofia tinha fortes relações com a poesia, mas também versava sobre assuntos muito em voga na época, a questão do panteísmo, do ateísmo e os desdobramentos pós-kantianos que o chamado Idealismo Alemão iria tomar.

Esse período também foi de muito interesse pela ciência. Goethe fez inúmeros estudos de botânica e ciências naturais em geral e publicou, em 1805, sua Teoria das Cores.

É no período final de sua vida, entretanto, que Goethe escreve a obra que estamos lendo. O Fausto de Goethe tem duas partes, a primeira publicada em 1808 e a segunda em 1830. Os conhecimentos científicos e também de alquimia e ocultismo adquiridos durante sua vida, além da filosofia do Idealismo Alemão e toda sua poesia estão reunidos nesta que talvez seja sua principal obra. “Para o Dr. Fausto o homem pode saber mais, muito mais. Nem que para isso seja necessário aliar-se a um anjo das trevas, o terrível Mefistófeles”. (MEIRA, 1983).

Goethe encontra a morte dois anos depois da publicação do segundo Fausto, em 1832. O que não dá pra deixar de citar é aquela que a história diz ter sido a última frase pronunciada pelo poeta: “Abram a janela do quarto, para que entre mais luz”. Entre a luz e as sombras, Goethe se posicionou de maneira múltipla e intensa dentro da história da cultura ocidental.

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2 Comentários

Arquivado em J. W. Goethe

2 Respostas para “O multifacetado J. W. Goethe

  1. Ivan

    Uma breve e direta apresentação do nosso autor do momento. Boa iniciativa, Rogério. E que as atividades do Blog tomem, enfim, um ritmo. Dos textos aqui colocados nós poderemos retirar informações que enriquecerão nosso debate. E é uma forma de compartilharmos com outros o nosso apetite pela leitura.

    PS: Valeria colocar a referência do Meira citado.

  2. Pingback: Encontro de 16 de fevereiro de 2013 | Sempre um livro

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