A Lenda de Fausto

A lenda de Fausto é uma das lendas mais difundidas na história da cultura ocidental. Desde o século XV, época em que se encontram registros da vida de um verdadeiro Dr. Fausto, até os dias de hoje, muitas são as representações literárias, teatrais, cinematográficas e afins da famosa e instigante lenda que versa sobre o homem que queria ir além e não mediu esforços para isso: o pacto com Mefistófeles é uma pequena amostra disso.

De todas as adaptações e representações de Fausto aquela que talvez tenha tido maior repercussão dentro da história e que atraiu um maior número de leitores é a obra que atraiu também a nós, membros do Sempre um livro. Estamos lendo desde dezembro do ano passado a obra Fausto, de J. W. Goethe (1749-1832).

No mês passado falei um pouco sobre o autor, aqui mesmo no blog do Sempre um livro. Hoje vou falar um pouco mais do livro em si. Algumas informações que podem ser interessantes e pertinentes para os nossos encontros para discussão da referida obra no último sábado de fevereiro (dia 25) e no primeiro de março (dia 03). Devido à densidade da obra optamos por reservar dois e não apenas um encontro como de costume.

Não é a toa que a obra Fausto, de Goethe e a versão mais difundida. Além de ter dedicado boa parte de sua vida à elaboração do poema dramático: Goethe, fascinado pela lenda, teria começado os primeiros escritos de sua versão em 1791 e publicado Faust, eine Tragödie (Fausto, uma Tragédia), a primeira parte da obra, em 1808. A segunda parte, intitulada Faust. Der tragödie zweiter Teil in fünf Akten (Fausto. Segunda parte da tragédia, em cinco atos) teve seus primeiros esboços concebidos em 1826 e foi finalizada somente pouco tempo antes do falecimento de Goethe, já em 1832. Além de todo esse tempo dedicado ao seu Fausto, Goethe também insere principalmente na segunda parte de seu Fausto aspectos como, por exemplo, a personagem do homúnculo e o retorno e contato com a mitologia grega de maneira bem acentuada o que faz do Fausto de Goethe um verdadeiro “drama alquímico”.

O lado místico da lenda, contudo, sempre existiu e uma das principais personagens da obra não está fora deste contexto. Falo de Mefistófeles, a representação do Diabo, que no início da peça, ainda no Prólogo no Céu acredita ter firmado uma aposta com o próprio Deus e a dita aposta tinha como “objeto” o famoso Dr. Fausto.

Mefistófeles vai então até a residência do Dr. Fausto e firma um pacto de sangue com este. Daí pra frente a obra vai se desenhando e conta quase sempre com a presença desses dois personagens em cena. Falaremos muito sobre eles no encontro.

Um ponto interessante é problematizar o papel de Mefistófeles dentro da obra. Isso remonta ao contexto histórico, religioso e social da época em que surgiu a lenda e também das épocas de Faustos posteriores como o de Goethe, mas também os de Fernando Pessoa e Thomas Mann (pra citar dois bons exemplos), a transitoriedade da figura de Mefistófeles parece ser incrível e a forma como ela é abordada em cada Fausto se modifica e parece ser fundamental para o desdobramento da obra.

Enfim, além das densas e múltiplas interpretações de Fausto e Mefistófeles a obra de Goethe pode nos oferecer ainda mais: um reencontro com lendas e mitologias (A Noite de Valburga, a Mitologia Grega) um retrato da Alemanha do século XVIII e, além de tudo, uma possibilidade de repensar o impacto e a importância dessa obra dentro da cultura ocidental, fazendo isso hoje, dentro de um contexto pós-moderno, sem cair em anacronismos ou coisa parecida.

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2 Comentários

Arquivado em Fausto, Fernando Pessoa, J. W. Goethe, Thomas Mann

2 Respostas para “A Lenda de Fausto

  1. Ivan

    Muita discussão vem por aí…

  2. Ailton Augusto

    Diante do que discutimos no último sábado, para mim, pelo menos, ficou muito marcado papel de Mefistófeles como personagem que inicia e domina os momentos de tensão na obra, sempre dando impulso a que Fausto se depare com novos “desafios” à sua visão desencantada da vida, tentando-o a assumir o prazer de uma existência comum. Isto levaria o ilustre doutor a pedir a permanência de Mefisto, demarcando a vitória deste sobre Deus e o cumprimento do pacto estabelecido entre os personagens no início do poema.

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